Cooperativa de Pediatras e secretário de Saúde batem boca na Assembleia
A prestação de contas do secretário de Estado da Saúde, Tadeu Marino, na Assembleia Legislativa, foi marcada pelo embate com a Cooperativa de Pediatria do Espírito Santo nesta quinta-feira (25). Após falar por cerca de 1h20 e apresentar os dados da secretaria relativos ao primeiro semestre deste ano, o secretário ouviu a opinião dos parlamentares. Os deputados não fizeram críticas diretas, pautando as observações principalmente na necessidade de aprovação da emenda 29, o que poderia aumentar os recursos destinados à saúde no país.
Ao final da apresentação, no entanto, o presidente da cooperativa dos pediatras, Francisco Menezes, apontou o aumento da mortalidade em hospitais infantis da Grande Vitória e se queixou da gestão do secretário. "O secretário mostrou que o aumento no número de investimentos no Estado não se refletiu na melhoria do atendimento à população. Ele passou ao largo da discussão a respeito da mortalidade infantil nos hospitais da Grande Vitória e viemos aqui cobrar isso. Queremos saber por que em seis meses a mortalidade infantil aumentou em 30% nos dois hospitais infantis".
Menezes ainda insinuou que os dados apresentados pela Secretaria de Saúde em relação à mortalidade não são os verdadeiros. Tadeu Marino rebateu e disse que no primeiro trimestre de 2010 a mortalidade infantil nos hospitais públicos do Estado foi de 11,43% e no primeiro trimestre de 2011 foi de 11,16%. Ele ainda foi enfático ao se referir ao presidente da cooperativa, que chamou de "cartorial" e "virtual".
"Me agride muito, Francisco, quando você diz que estamos maquiando dados. Isso não é o princípio desse governo e não é republicano. Isso me irrita. Eu acho também que é uma irresponsabilidade tratar de mortalidade infantil pela imprensa. Vocês nunca foram me procurar para discutir mortalidade infantil. Vocês são uma cooperativa virtual, cartorial. A quem vocês prestam serviço no Espírito Santo?".
A cooperativa dos pediatras não presta serviços ao governo do Estado, mas desde o início do ano sinaliza para que um contrato seja firmado. Sessenta pediatras, que antes trabalhavam em hospitais públicos, já pediram demissão. Em janeiro deste ano o advogado da cooperativa, Alexandre Rossoni, disse que a população deveria "rezar ou tomar chá caseiro" caso precisasse de atendimento médico, uma vez que os pediatras já ameaçavam deixar a rede pública.
Rossoni estava presente no plenário da Assembleia nesta quinta-feira e foi apontado pelo secretário Tadeu Marino. "Naquele momento mais crítico que o Estado vivia, da crise de bronquiolite, da carência de leitos, nós tivemos demissão de sessenta pediatras. Para quê? Em um momento duro em que disseram que as mães podiam rezar e tomar chá. Está aí o advogado da cooperativa, que fez essa declaração. O senhor falou que era para tomar chá e rezar".
Tadeu Marino teve uma curta passagem como secretário de Saúde em 2003, no governo Paulo Hartung (PMDB). Um dos motivos apontados para a saída dele da pasta, na ocasião, foi justamente ter contrariado interesses de cooperativas médicas.
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